Você consegue inovar sem powerpoint?

Assisti uma palestra no CIA Febraban (no mês passado) muito inspiradora feita por Charles Bezerra, Diretor Executivo da GAD’Innovation. O nome da palestra: Inovação e Criatividade. Compartilho abaixo a minha visão a partir do que aprendi com Charles.

A palavra inovação parece que virou clichê no vocabulário empresarial. Segundo matéria publicada no Wall Street Journal, variações do termo “innovation” foram citadas 33.528 vezes nos informes de resultados anuais e trimestrais das empresas no mercado aberto norte-americano em 2011, alta de 64% em relação aos cinco anos anteriores. Foram lançados 255 livros com o termo “innovation” no título nos últimos 3 meses. Um total de 43% dos 260 executivos entrevistados numa pesquisa disseram que suas empresas têm um executivo de inovação. Nos Estados Unidos, 28% das escolas de negócios (como Harvard, por exemplo) têm o termo “innovation”, “innovative” ou “innovate” em suas declarações de missão. Ou seja, o termo “inovação” parece lugar comum, até um pouco desgastado.

Abra uma revista ou um livro de administração, de negócios, e lá estará a palavra “inovação” em destaque. Pergunte a um executivo de recursos humanos sobre uma característica fundamental nos novos funcionários que ele procura, e em segundos ele vai dizer que deseja funcionários inovadores.

Inovação virou palavra comum hoje em dia. Todos falam nisso. Muitas empresas abraçaram a causa e estão verdadeiramente buscando fazer algo diferente nesse sentido, porém várias negligenciam a importância do fator humano para inovação, que só acontece nas empresas se existirem inovadores.

Infelizmente, muitas organizações tratam inovação como um processo, o que é equívoco. Processo é o caminho, não é o objetivo. Inovação tem a ver com pessoas e suas mentes, tem mais a ver com desaprender do que aprender. Nessas horas a ignorância pode ser uma bênção. Chamar somente “experts” para inovar pode não ser uma boa. O segredo está na diversidade e na capacidade das pessoas de se colaborarem. Quando a gente fecha a porta do diálogo, da conversa livre, a gente fecha a porta da inovação.

Inovar é poder fazer perguntas ingênuas, algumas bem básicas, daquelas que o cara do lado pensa: “mas que pergunta burra!!”. A inovação transgressora, radical, vem de um ambiente onde as pessoas podem realmente pensar livremente, sem preconceito. Infelizmente, as pessoas sentem vergonha de dizer que não conhecem determinado assunto, de mostrar desconhecimento, e isso acontece porque as empresas inibem o pensamento livre. As empresas amam pessoas que fazem cara de conteúdo.

Vivemos massacrados por metas e objetivos. Será que as metas ajudam ou atrapalham a inovação nas empresas? As empresas precisam sobreviver, portanto metas sempre são e serão sempre importantes. Até sobreviver já é uma meta, mas infelizmente muitas vezes elas atrapalham. Olhar em demasia os concorrentes também atrapalha. Ver o que o cara do lado está fazendo nos faz tirar o foco, nossa primeira iniciativa é fazer melhor do que ele. Gastamos muito tempo olhando para o lado e para trás. Tentamos sempre repetir um sucesso do passado, com a pequena ousadia de tentar obter um resultado melhor, gastando menos e mais rápido.

Tradicionalmente a gente complica muito. A pressão a que somos submetidos nas empresas nos faz pensar mais nas respostas do que nas perguntas. Pensamos que temos as respostas certas, mas na maioria das vezes nós fazemos as perguntas erradas. Temos pressa em termos respostas para podermos trabalhar, por isso investimos pouquíssimo tempo na formulação das perguntas. Em grande parte das vezes temos mais respostas do que perguntas, quando deveria ser o contrário.

É mais confortável fazer mais do mesmo, do que pensar diferente. A sociedade moderna está nos tirando o tempo para pensar. Rowan Gibson, mestre da Inovação, afirma que existem três condições para a inovação acontecer nas empresas: tempo, diversidade de pensamento e colaboração. Ou seja, tempo para pensar é fundamental.

Nossos pensamentos é que criam nossas vidas. É ali que estão a nossa razão de viver e da felicidade. Nossas verdadeiras famílias, casas e empresas estão dentro de nossa cabeça, no que pensamos. Portanto, pense no que anda pensando. O mundo todo se resume ao que está na sua cabeça.

Texto publicado no blog da CRN