Apenas 0,05% dos usuários geram 50% do conteúdo circulante do Twitter. Isso também acontece nas empresas

A Yahoo Research e a universidade americana de Cornell publicaram um interessante estudo a respeito de como o conteúdo que circula no Twitter é criado, consumido e compartilhado.

De todas as conclusões apresentadas, a mais interessante foi descobrirmos que uma pequena minoria de usuários – aproximadamente 0,05% – está gerando cerca de 50% de todos os posts que circulam no Twitter.

Ou seja, podemos dizer que “apenas” 20 mil, entre os 200 milhões de usuários do Twitter, são responsáveis pela metade dos tweets que circulam na rede social. Caso você não saiba, são quase 140 milhões de tweets enviados por dia.

O interessante é que um estudo feito por Harvard, em 2009, apresentou um resultado parecido. Naquela época, foi dito que 10% dos usuários produzem aproximadamente 90% de tudo que é publicado no Twitter. Veja AQUI.

O estudo da Yahoo Research divide os usuários em dois grupos: os usuários-comuns e os usuários-elite, que foram divididos em quatro categorias: celebridades (por exemplo, Lady Gaga e Barack Obama), mídia (exemplo, CNN), organizações (como Google) e blogs (como BoingBoing e Gizmodo). Um dos achados foi a constatação de um “padrão de conduta” entre os usuários-elite do Twitter. As celebridades seguem celebridades, a mídia segue a mídia e blogueiros seguem blogueiros. Sem graça, né? Mas esse é um dos “findings” do estudo.

Já conversei com várias pessoas que são usuárias do Twitter, mas não postam nada. Quase todas falaram que usam o Twitter apenas como um agregador de notícias ou novidades. Ele seguem as pessoas ou organizações que mais admiram e esperam as notícias chegarem. Uma delas chegou a me dizer que o Twitter “é melhor que jornal”.

O interessante foi constatar que o padrão que ocorre no Twitter é o mesmo na blogosfera e redes sociais em geral. A grande maioria dos usuários consome conteúdo e assiste passivamente, quase como espectadores. Um segundo grupo são os disseminadores, aqueles que replicam o que recebem. E um grupo, bem pequeno, são os verdadeiros geradores de conteúdo. Esse também é o padrão nas empresas que dão liberdade no uso e na implementação de redes sociais. A grande maioria dos participantes das redes (clientes ou funcionários) são meros espectadores e consumidores de conteúdo. Poucos realmente criam conteúdo ou geram discussão inovadora.

Convido você, leitor, a fazer um exercício hipotético.
Imagine uma empresa com 5 mil funcionários, que ofereça liberdade total no uso das redes sociais, onde qualquer um pode usar e contribuir para blogs e redes sociais. Aplicando o conceito de que menos de 1% gera mais da metade do conteúdo circulante concluiríamos que apenas 50 pessoas dessa empresa seriam responsáveis por uma grande quantidade do conteúdo gerado. A empresa, ao identificar esses 50 principais colaboradores, grandes influenciadores e formadores de opinião, poderia convidá-los para participar mais da gestão e da operação, transformando-os em verdadeiros reverberadores e contribuidores da estratégia, planos e objetivos corporativos. Parece simples, né? E é mesmo. O problema é que as empresas sempre olham a parte vazia do copo. A parte cheia, aquela geladinha e doce, sempre fica esquecida. É mais confortável discutir os problemas, e não as possibilidades.

Veja o estudo da Yahoo Reserch e da Cornell University AQUI.