Jeff Cole: Enquanto pais e mães entram no Facebook, os filhos pulam fora

Dias atrás eu participei do MaxiMídia e assisti a uma palestra interessante chamada “The impact of the internet: O Futuro Definitivo” (sim, é isso mesmo, é uma mistureba de inglês com português!!). O palestrante foi um cara chamado Jeff Cole, diretor da University of South California dos EUA.

Mr. Cole veio compartilhar o que tem aprendido no projeto Digital Future, conduzido nos últimos 10 anos pelo Annenberg Center, cujo objetivo é pesquisar e estudar as grandes transformações que o mundo digital vem causando na sociedade e no ambiente de trabalho. Ou seja, simplesmente TUDO.

Cole (desculpe a intimidade Mr. Cole!) disse que os pais e as mães estão invadindo lentamente o Facebook, que os filhos estão de olho e já começam a emitir sinais de que estão se sentindo incomodados. Ninguém gosta da mãe ou do pai entrando na sua festa, conhecendo seus amigos, vendo suas fotos e acompanhando suas conversas. Cole disse que esse mesmo fenômeno se passou no MySpace, num passado recente, resultando na queda vertiginosa do crescimento e interesse de tal rede social, cujo geração mais nova acabou migrando para outras redes. Tal movimento ainda não será capaz de frear o crescimento de curto prazo do Facebook, porém ele acha que o Facebook vai crescer por cerca de 5 anos, chegar a 1 bilhão de pessoas e, a partir daí, encarar o inevitável declínio. Ele citou o Brasil, dizendo que o Facebook está substituindo aceleradamente o Orkut em termos de preferência e credibilidade.

Cole não acredita no surgimento de outra grande rede do porte do Facebook. Interessante é que ele não citou o Google+ em nenhum momento de sua palestra. Sua previsão é que a super-rede do Facebook vai começar a se dividir em grupos menores, em redes diferentes, com interesses específicos e formas diferentes. “O Facebook vai virar algo para a família“, disse ele. Enquanto as pessoas de mais idade estão entrando fortemente no Facebook, os adolescentes e as gerações mais novas buscarão outras comunidades. Cole afirma que já existe a percepção por parte das pessoas de que o grupo de amigos virtuais cresceu demais, que é algo não gerenciável e que estamos falando coisas demais com pessoas que não interessam. Ou seja, vai haver uma diminuição na vontade incontrolável de colecionar e participar de grupos de muitas pessoas.

Enquanto Cole falava que o Facebook vai virar algo “papai-e-mamãe”, eu olhava para os lados em busca da reação da platéia. Tenho que confessar que a reação não foi positiva. Rolava uma certa incredulidade no ar enquanto o velho senhor, de terno amassado, cinto torto, circulava pelo palco sem usar nenhum slide.

Cole disse que a internet vicia, mas ninguém quer largar a web. Segundo ele, muitos se aproximam dele para falar que estão cansados por estarem 24 horas por dia conectados e que a internet está direcionando as suas vidas. As pessoas têm dificuldade de dormir sem antes “checar” a internet e as redes sociais.

“Você é capaz de esquecer o cartão de crédito na mesa do restaurante, mas nunca sairá do local sem o celular. Sabe por que? Porque na porta do restaurante você já vai querer pegar o celular para se conectar na web enquanto espera o táxi”.

A quantidade de dispositivos ao nosso redor está explodindo. O trabalho e a casa estão se fundindo. Não existem mais fronteiras claras. Na medida em que as mídias sociais entram nas nossas vidas, e que nossas vidas pessoais e profissionais se fundem, as empresas se sentem encurraladas. Cole disse que tem conversado com muitas empresas nos últimos dois ou três anos. Citou explicitamente a Unilever e a P&G. As empresas sabem que tem que interagir com seus clientes através das redes sociais, mas elas estão muito desconfortáveis e a pergunta que mais circula nos corredores das empresas é: como a gente engaja os nossos clientes? Os executivos sabem que as pessoas vão falar sobre a sua empresa, estando ou não a empresa presente nas redes sociais. Existe muita insegurança em como agir nesse ambiente interativo e descontrolado. Muitas vezes, boas empresas descobrem que tem gente falando mal de sua marca dentro das redes, mas, surpreendentemente, surgem outros clientes para defender a empresa. O que foi falado e escrito nos livros, aquela história de advogado da marca, começa a aparecer de verdade nas redes sociais.

Segundo Cole, uma das maiores paranóias na adoção das mídias sociais é a questão da perda de produtividade. “Essa é uma questão que sempre aparece”. Ele citou uma pesquisa onde 75% das pessoas entrevistadas responderam que o uso de internet e redes sociais dentro das empresas geram maior produtividade. Por outro lado, apenas 5% das pessoas citaram perda de produtividade, enquanto 20% disseram não ter uma opinião formada. Cole é categórico ao dizer que o uso de redes sociais nas empresas gera produtividade. Pena que ele não citou a fonte de tal pesquisa.

Por fim, Cole anunciou a morte do mercado de PCs como conhecemos hoje. Disse que no futuro apenas 4% a 6% das pessoas continuarão a usar PCs: “Eles não precisam de aparelhos complexos e complicados. A maioria vai se satisfazer com um iPad ou tablet“.

Gostei. Aprendi bastante, mesmo que não tenha concordado com tudo.