O Aluno do Futuro já nasceu, mas o Professor…

“O Aluno do Futuro já nasceu, mas o Professor ainda não”

A frase acima foi dita por Otavio Marques de Azevedo, Presidente da AG Telecom, num painel da Futurecom ocorrida na semana passada chamado “Educação e Tecnologia: como as Comunicações podem ajuda o desenvolvimento da sociedade”. Apesar do tema amplo, os debatedores gastaram um tempo precioso falando sobre a transformação da sala de aula e dos novos papéis de alunos e professores. Adorei o devaneio e o exercício livre que eles fizeram. Eis abaixo o que registrei, misturado com o que acredito.

Ao analisarmos o ambiente atual da sala de aula, parece que a única mudança que aconteceu foi o aluno, que agora é um ser digital, conectado, praticando uma nova linguagem, estabelecendo novos valores e com novas expectativas. Por outro lado, o ambiente físico da sala de aula continua o mesmo: com cadeiras, lousa e uma mesa na frente. O professor parece também continuar o mesmo: dono do conhecimento, guia do saber, senhor legislador daquela atmosfera, falando muito e ouvindo pouco. Os alunos, na maioria das vezes, ficam calados e absorvem conteúdo. Os professores, apesar de poucos metros de distância física dos alunos, parecem estar distantes. Eles não entendem a nova linguagem dos alunos, que usam um vocabulário diferente, construído na internet e num mundo que não quer perder tempo. O modelo tradicional de sala de aula envelheceu, não é estimulante e nem divertido. Os alunos se arrastam para as salas porque são obrigados. Não é por acaso que o post mais acessado do meu blog (desde seu início!!) é aquele chamado “A sala de aula vista por um adolescente“. Por outro lado, também já publicado em post passado, vários professores me disseram que não estão preparados para este mundo novo, não se sentem em condições de iniciar esta transformação e reclamam do comportamento e interesse dos alunos.

O papel do professor precisa mudar. Num futuro não muito distante os professores deixarão de ser guias do saber e passarão a ser facilitadores, mediadores e estimuladores do debate e da colaboração livre e espontânea. Eles reconhecerão que a decoreba não é importante, mas sim o raciocínio e a capacidade de resolver problemas. Professores e alunos aprenderão uns com os outros, de igual para igual. Acabará também a velha retórica que é na sala de aula que a gente aprende. Atualmente nós aprendemos em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer dia, a web trouxe o mundo às nossas mãos. Compartilhamos conhecimento e falamos uns com outros sem limite de geografia ou horário. Está tudo misturado.  Portanto a sala de aula sairá das fronteiras das quatro paredes e permeará o dia a dia. O estudo e aprendizado será feito em casa, na rua, em qualquer cantinho. A escola do futuro será um local de experimentação e debate, onde o professor atuará como articulador. Enfim, a dinâmica da aula mudará radicalmente.

Fisicamente a sala de aula também mudará. Um dia teremos lousas eletrônicas, acesso livre e estimulado à internet, bem como tecnologias digitais sociais para compartilhamento de conteúdo que vão fazer as novas gerações rirem de como eram as provas que os professores aplicavam aos alunos no passado.

A escola não pode ser um local apenas para transmissão de conhecimento. Ali, professores e alunos, juntos, têm um estoque de conhecimento que, compartilhado, pode ser muito amplificado. É uma sinergia entre construção do conhecimento e formação social, onde não existe a fronteira do pessoal, do aluno e do professor. Todos são alunos e professores ao mesmo tempo. Parece caótico? Mas o mundo já é assim, só a escola ainda não descobriu e não sabe como se capitalizar desse novo mundo social, democrático e aberto que vivemos.

Durante o painel, Rodrigo Abreu, Presidente da Cisco, analisou o futuro da escola sob 4 dimensões de tecnologia. Gostei muito dessa abordagem que apresento abaixo de forma muuuuito resumida:  

TECNOLOGIAS VISUAIS – tais tecnologias, como por exemplo vídeo, ajudarão muito a aumentar a absorção de conteúdo. Para quem não sabe, atualmente 50% do que trafega na internet já é vídeo.

TECNOLOGIAS VIRTUAIS – tecnologias virtuais e digitais permitirão disseminar conhecimento sem necessidade da presença física de professores e alunos.

TECNOLOGIAS MÓVEIS – tecnologias móveis como celulares e tablets, proverão conveniência e mobilidade para professores e alunos.

TECNOLOGIAS SOCIAIS – redes sociais e novas ferramentas digitais permitirão maior integração entre professores, família e alunos. 

A questão da mudança da sala de aula não é meramente uma discussão de tecnologia ou da introdução de novas infraestruturas, como muitas vezes vemos na mídia, trata-se de uma discussão de gestão, de mudança do modelo de ensino e da capacitação dos professores. A tecnologia vai ajudar nisso tudo, mas ela sozinha não fará a transformação que almejamos.

O maior desafio parece ser a capacitação dos professores. Como criar uma nova geração de mestres? Essa resposta eu vou ficar devendo.