Powerpointlândia

Confesso aqui, na intimidade do blog, que o powerpoint me cansa. E isso acontece pois muitas vezes eu tenho a impressão que o powerpoint virou o fim e não o meio. As vezes eu participo de reuniões fantásticas que acabam com a seguinte frase: “E agora? Como vamos fazer para colocar tudo isso numa apresentação? Como conseguimos fazer um powerpoint bacana?”. E aí um time de pessoas gasta um tempo imenso para criar powerpoints bonitos, coloridos, excessivamente densos, que muitas vezes serão pouco absorvidos pelos espectadores.

Mas o pior mesmo é quando temos powerpoints desconectados da realidade. Minha experiência mostra que, quanto mais você sobe na organização, maior será o número de powerpoints diários com que você terá que lidar. Uma parte deles será você que vai ter fazer, enquanto outra parte você será parte de uma plateia olhando fixamente uma apresentação.

Uma vez, quando trabalhava em outra empresa, um colega meu falou uma frase divertida durante uma apresentação: “Aqui na Powerpointlândia tudo funciona. Quero ver quando ele descer lá vida real”. Ele soltou esta frase durante uma reunião de planejamento da diretoria, quando vários diretores apresentaram seus planos em sofisticados powerpoints repletos de números, projeções e gráficos. Adorei aquele comentário pois me fez imaginar um mundo formado por dois mundos diferentes: o mundo real e o mundo imaginário existente somente nos powerpoints. “Duro é fazer acontecer o que está escrito no powerpoint. Depois ele vai voltar aqui e mostrar outro powerpoint bonito”.

Essa reflexão me faz lembrar uma história divertida que escrevi tempos atrás, chamada “Reunião com o presidente“. Acho ela bem verdadeira e bem conectada com esse mundo diário dos powerpoints e apresentações.

Para fechar, lembro de um caso real que ocorreu na IBM na década de 90.  A empresa passava por dificuldades e um novo chairman foi anunciado, vindo pela primeira vez de fora dos quadros da empresa. Estou falando de Lou Gerstner, um dos mais brilhantes CEOs que já lideraram a IBM. Ele chegou no quartel general da empresa e começou a ter reuniões individuais com seus executivos diretos, todos muitos seniores e experientes. Todos eles vinham para a reunião com apresentações super estruturadas e completas. Lou, através do seu tradicional estilo simples e objetivo, pedia para que abandonassem a apresentação e tivessem uma conversa com ele, sem slides, apenas um diálogo simples e desestruturado. Este estilo, um pouco despojado para uma empresa extremamente formal na época, foi muito interessante e provocou mudanças. Talvez esteja faltando um pouco mais dessa informalidade no mundo corporativo atual.