Steve Jobs – aos 28 e aos 50 anos de idade… e uma Apple no meio

Muito provavelmente, o vídeo de Steve Jobs falando para os formandos da Universidade de Stanford já foi visto pela maioria das pessoas, afinal ele vem circulando pela internet com intensidade nos últimos tempos. Mas esse post não comenta apenas esse vídeo, ele tem também um outro filme muito especial e até um pouco desconhecido de Jobs. Enfim, publico esse post pois desejo ter esses vídeos emblemáticos dentro do meu blog.

Temos visto vários exemplos de empresas onde a “marca” do fundador ou do líder se confunde com a própria marca da empresa. Dois exemplos de empresas de tecnologia se destacam nesse cenário. A “marca” Bill Gates é tão ou mais forte que a própria marca da Microsoft. O mesmo podemos dizer de Steve Jobs e a Apple. Mas existem muitos outros, como, por exemplo, Sam Walton e o Walmart.

Aqui no Brasil poderíamos citar Antonio Ermírio de Morais e a Votorantim, Abílio Diniz e o Pão de Açúcar e vários outros. Temos alguns exemplos extremos como o Eike Batista, que tem uma marca muito mais forte do que qualquer empresa dele.

Enfim, essa mistura de marcas pessoais com marcas corporativas torna-se um desafio ao longo do tempo para as empresas. Acho que esse é o momento vivido hoje pela Apple, que tem uma ligação simbiótica com a personalidade e imagem de Steve Jobs.

A história de Steve Jobs é interessante. Nasceu em 1955, foi adotado, não completou o curso universitário, viveu sérias dificuldades financeiras, até que se juntou com um tal de Steve Wozniak e começou a fazer algumas coisas interessantes na garagem de seus pais adotivos (vale dizer que isso é mais folclore do que realidade, parece que nada surgiu de verdade naquela garagem, segundo o livro que cito mais abaixo). Foi nessa época que nasceu a Apple, mais ou menos quando ele tinha 20 anos de idade. Depois de um tempo ele saiu da Apple, derrotado, quase expulso, criou a Pixar e voltou para Apple como um salvador.

O vídeo de Stanford é imperdível. O speech de 15 minutos dado por Steve Jobs para os formandos em 2005 é o retrato claro e pragmático de um empreendedor, de uma personalidade intrigante, de uma mente inquieta e em constante busca de coisas novas. O vídeo inspira e nos surpreende.

Por outro lado, é sabido que Steve Jobs é um líder tirano, numa relação constante de amor e ódio com seus funcionários. Definitivamente ele não é o líder preconizado pelas boas práticas de recursos humanos. A última edição da Super-Interessante traz uma matéria polêmica a respeito desse lado “dark” de Jobs. Infelizmente a matéria não está disponível online. O que vale mesmo é ler o livro de Leander Kahney, chamado “A Cabeça de Steve Jobs”, que evidencia com primor as contradições da cabeça de Jobs, um sujeito apaixonado e que sempre seguiu seus próprios instintos. Leia AQUI o primeiro capítulo, imperdível. Duro vai ser você não correr na livraria para ler o resto.

Mas antes de você ver o vídeo de Stanford, eu recomendo que você veja esse post que eu publiquei no ano passado, onde comento o lançamento do Macintosh em 1984. É um momento histórico, especialmente pelo filme que mostra um Steve Jobs muito jovem, com 28 anos de idade, arrogante, desafiando alguns gigantes da tecnologia, especialmente a IBM, falando com um sorriso sarcástico e denunciando que estava prestes a conquistar o mundo.

Todo esse contexto só potencializa o mérito do vídeo memorável de Stanford. Ver o Steve Jobs falando aos 28 anos, e depois aos 50 anos, é muito interessante. Da vontade de ver e rever.

A história contada no vídeo de Stanford pelo próprio Jobs me faz lembrar o pensamento de Albert Eisntein, que dizia que a criatividade nasce da angústia como o dia nasce de uma noite escura. É na crise que nasce a invenção, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise de incompetência. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crises não há méritos. Falar da crise é promovê-la, e calar nas crises é exaltar o conformismo. Todas essas palavras e frases são de Einstein. Mas a que mais gosto é uma frase que ilustra meu blog desde o primeiro dia: Não se pode esperar resultados diferentes fazendo as coisas do mesmo jeito.

Por fim, eis o vídeo de Stanford dividido em duas partes:

Parte 1:

Parte 2: