A síndrome de abstinência do Facebook

O cara virou pra mim e falou mais ou menos assim:

— Eu estou viciado. Não consigo mais viver sem estar consultando o facebook o tempo todo. Meus dedos ficam nervosos. Eu me pego nas reuniões com as mãos sob a mesa, mirando o celular com um olhar de lado, respondendo o facebook. Me distraio mandando mensagens. Meu chefe já me pegou no flagra várias vezes. Um dia eu esqueci o celular em casa e passei mal o dia todo, com ansiedade, achando que as coisas estavam acontecendo e eu estava por fora. Senti até tremedeira.

Você pergunta: quem é esse casa?

Eu respondo: um colega.

A história, apesar de engraçada (me permiti usar palavras diferentes daquelas usadas por ele, mas entendi na forma acima), ilustra um dos males atuais da nossa vida diária: a sensação de que estamos constantemente perdendo alguma coisa ou, no mínimo, que estamos desatualizados.

O sempre interessante e completo estudo Wave, recentemente publicado na versão Wave 6 (não conhece? separa um tempo para escarafunchar essa pesquisa porque vale a pena ou pelo menos veja o vídeo no final do post), mostra de forma contundente um aumento significativo no tempo que todos nós gastamos nas mídias sociais, que hoje são rivais inquestionáveis das mídias tradicionais, com alto impacto de influência na percepção e consumo do cidadão, bem como nos negócios. Ou seja, se você se sente ansioso em entrar nas mídias sociais várias vezes ao dia, fique tranquilo porque você não está só.

A pesquisa tem um dado curioso: 42% dos pesquisados dizem que se sentem preocupados de perder alguma coisa relevante se não estiverem conectado às redes sociais (página 28 do documento). E essa sensação é muito verdadeira quando olho meus colegas de trabalho e o exemplo do meu amigo aqui no início desse post. E a tendência é aumentar esse índice, tendo em vista a chegada da geração mais nova ao mercado de trabalho.

Falando na geração Y…
Uma pesquisa encomendada pela Time Warner à Research Boston Innerscope trouxe um dado curioso. A pesquisa aponta que os nativos digitais trocam de mídia 27 vezes em 1 hora, alternando a atenção entre computador, celular, TV e outros dispositivos. Parece louco, mas você já sentou ao lado do seu filho para ver como as coisas rolam? Por outro lado, a geração mais velha troca de mídia “apenas” 17 vezes (quer saber? Achei 17 até um número alto).

Para nós, profissionais de marketing e comunicação, essa nova realidade parece confrontar radicalmente com a forma como fazemos marketing e comunicação nas empresas. As agências de publicidade estão se virando para construir uma ponte entre o marketing tradicional e o novo marketing. Consumidores parecem cada vez mais se afastar da mídia tradicional e dos websites das empresas por proverem uma experiência unidimensional, pobre, quando comparados à pluralidade e velocidade das mídias sociais. As marcas precisam encontrar seus atuais e potenciais clientes nos espaços sociais online, porque é ali que rolam as coisas. É ali que a ansiedade do meu colega é saciada e que os jovens encontram suas comunidades. É entendendo a experiência social de seus clientes e consumidores que as empresas conhecerão esse novo ser humano conectado, que é trabalhador, consumidor, cidadão e influenciador, tudo ao mesmo tempo.

Não deixe de ver essa pesquisa muito interessante e completa chamada Wave 6. Faça o download e verifique como o Brasil é realmente destaque nas mídias sociais. Por exemplo, olhe a posição do Brasil no gráfico das páginas 32 e 33. É um estudo que merece ser degustado 🙂

Texto publicado no Nós da Comunicação e no blog da CRN