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Aos 66 anos, o mergulho interno me fez voltar a sonhar

  • há 1 dia
  • 13 min de leitura
Richard Oliveira do canal Vida de Mochila no Pico do Lopo, em Extrema-MG
Richard Oliveira do canal Vida de Mochila no Pico do Lopo, em Extrema-MG

“A vida é o que acontece com a gente enquanto estamos fazendo outros planos”

 

Conheci essa frase há pouco tempo, numa música de John Lennon. É um verso de “Beautiful boy”. Ao pesquisar, descobri que a frase original veio de Allan Saunders, escritor e jornalista, publicada na revista Reader’s Digest em 1957.

 

Essa frase me tocou porque acho que vivi assim a maior parte da minha vida. Na verdade, o melhor seria adaptar a frase para o meu contexto. Então, ajustando os termos e o tempo ao meu caso, a frase fica assim:


“A vida é o que aconteceu comigo enquanto eu estava preocupado demais tentando controlá-la, fazendo planos e buscando conquistas”

 

Os 60 anos e a melhor fase da vida

 

Completei 66 anos de idade há poucos dias e a sensação é a de que vivo o melhor momento da minha vida. Tentei encontrar uma palavra que melhor descrevesse essa minha fase, mas é difícil porque são muitas coisas combinadas. Talvez, forçando a barra, a palavra mais adequada seja uma já citada em artigos no blog: “liberdade”.

 

Falar no meu “melhor momento da vida” também parece vago diante da dificuldade de definir o que “melhor” realmente significa, até porque o “melhor” para mim não é exatamente o “melhor” para outra pessoa. Isso diz respeito a que? Sensação de felicidade, paz de espírito, realização, conquistas, liberdade, segurança, desobrigação de se provar para a sociedade, o que mais? Talvez, no fundo, isso tudo seja uma forma de ressignificação: dar novos significados a palavras como sucesso, felicidade, realização e prosperidade. E, a partir daí, encontrar um propósito que faça sentido para mim, não para a sociedade.

 

O curioso é que a maioria das pessoas se conhece pouco para ter clareza do que é uma vida que vale a pena... ou o que buscar para trazer mais realização e significado para suas vidas. Elas não conseguem olhar para dentro de si próprias para uma autoanálise realmente profunda.

 

Se você tivesse todo o tempo do mundo... e todo o dinheiro do mundo... o que você faria com a sua vida?

 

Tenho a percepção de que ando na contramão da sociedade quando afirmo que vivo o “melhor momento da minha vida” aos 66 anos de idade. Afinal, vivemos num mundo onde o “peso da idade” parece pesar cada vez mais...  na busca pela juventude estendida, nas rugas esticadas e camufladas, nas imagens manipuladas das redes sociais. Mas não quero falar nisso aqui, até porque já é assunto bem comum, e chato.

 

Geralmente, quando falamos de idade, o entendimento é que idade diz respeito a uma questão cronológica. Se sentir velho, obviamente, envolve a dimensão física, mas nesta equação também entram outras parcelas, como por exemplo as dimensões emocional, espiritual e mental. E é exatamente neste ponto que venho pensando nos últimos dias. Aliás, essa “fase pensativa e reflexiva” sempre rola ao redor dos meus aniversários.  

 

Ponto mais alto do Caminho da Fé - 1.965 metros de altitude, localizado na Serra da Mantiqueira, entre os municípios de Luminosa (MG) e Campos do Jordão (SP)
Eu no ponto mais alto do Caminho da Fé - 1.965 metros de altitude, localizado na Serra da Mantiqueira, entre os municípios de Luminosa (MG) e Campos do Jordão (SP) - foto de Mauro Segura

Da estrada de tijolos amarelos ao planador

 

Quando olho para trás, vejo que passei quase 60 anos da minha vida perseguindo realizações, conquistas e crescimento. A minha existência foi quase toda construindo uma vida pragmática: constituir uma família, viajar, crescer profissionalmente, juntar dinheiro, fazer conquistas... e explorar o que a vida me oferecia. E isso envolvia carreira, criar patrimônio, descobrir coisas. E foi assim durante muitas décadas da minha vida. Na minha mente, a vida estava concentrada nisso: acumular, crescer e expandir. Convido a você a ler uma boa reflexão sobre isso no meu artigo “A ilusão do quando eu chegar lá”.

 

Por volta de 2017 o universo me preparou uma surpresa. Ao longo dos anos seguintes, a minha estrada de “tijolos amarelos”, que me levaria à “Cidade das Esmeraldas”, foi ganhando novos tons. Tal qual no “Mágico de Oz”, passei a viver provações inesperadas, mas diferentemente da história, fui jogado para fora da estrada mágica, entrei em novos caminhos e nunca mais voltei ao antigo caminho.

 

No “Mágico de Oz”, a estrada de “tijolos amarelos” serve como uma grande metáfora para o autodescobrimento, onde personagens percebem que as virtudes que procuravam, já estavam dentro deles o tempo todo. Acho que já assisti este filme uma dezena de vezes. Ao longo da trilha dourada, Dorothy encontra alguns icônicos companheiros (o espantalho, o homem de lata e o leão covarde) que também buscavam a Cidade das Esmeraldas, com a esperança de um encontro com o Grande Mágico que iria resolver todos os problemas. O futuro de todos dependia disso. Ao longo da viagem, Dorothy e seus parceiros de estrada vivem uma jornada de aprendizados e descobertas.

 

E foi mais ou menos isso que aconteceu comigo: entrei em uma estrada que me despertou profundas reflexões e aprendizados, levando-me a decisões de vida importantes. Tudo foi intensificado a partir de 2020, quando troquei o avião a jato turbinado da minha vida, ainda em pleno voo, por um planador, sem motores, apenas planando e usufruindo do que o universo e vida colocavam na minha frente.

 

Parece que puxei o freio. Saí de uma fase de realizações e conquistas, para uma fase de busca de propósito, significado e questionamentos existenciais. Foi assim durante alguns anos, que está bem evidente nos artigos publicados no blog.



Realizações x Reflexões: a coexistência possível

 

Foi algo excepcional porque colocou as rédeas da vida em minhas mãos, mesmo considerando que eu “planava no ar” conforme as brisas aleatórias que surgiam, ou seja, me preocupava menos com o controle e mais em aceitar e usufruir o que o universo me proporcionava. E, dessa forma, consegui levar minha vida para uma rota que me apresenta boas respostas às minhas questões existenciais... e muito mais perguntas também!

 

De certa maneira, eu sempre imaginei que viver uma “fase de realizações” seria muito diferente de viver uma “fase de reflexões”. Parece que essas coisas são paradoxais e não conseguem coexistir (este é um bom papo!). Talvez isso seja até verdade. O fato é que eu nunca mais parei de estudar filosofia, de desenvolver minha espiritualidade e de continuar me desafiando internamente sobre “o que é uma vida que vale a pena”. Esse movimento de olhar para dentro, de questionar minhas próprias certezas, é o que chamo de ressignificação: a arte de reescrever o significado das coisas. E, a partir dela, emerge um propósito mais alinhado com quem eu sou de verdade. O novo contexto da minha vida me trouxe mais consciência, mais certeza do que eu quero e do que eu não quero.

 

Essa fase de intensas reflexões, com pouca realização, de pouco pragmatismo e senso prático, parece não ser o que o humano típico chama de vida produtiva. Confesso que às vezes, esta sensação de ser improdutivo me incomoda, mas aí eu paro para pensar... converso com os lobos que me habitam... fico pensando até essa “consciência perversa” desocupar a minha mente... hehehe.


Olhando para minha sombra - Quem sou eu afinal? - foto de Mauro Segura
Olhando para minha sombra - Quem sou eu afinal? - foto de Mauro Segura

A viagem interna que todo mundo precisa fazer

                                                                                                                         

Tudo isso que falei até aqui é para sustentar um grande aprendizado que obtive com a minha experiência: todo ser humano precisa parar para refletir. Eu não estou falando de férias, muito menos de uma viagem bacana para um lugar exótico, sob o pretexto de descansar a cabeça e se afastar dos problemas. Isso até ajuda, mas eu estou falando de um momento de “viagem interna profunda”.

 

A imagem que ilustra o início deste artigo foi retirada do vídeo chamado “Acampei sozinho numa montanha pra lembrar de quem eu sou”, do excelente canal “Vida de Mochila”. Neste vídeo, Richard Oliveira faz uma caminhada solitária até ao Pico do Lopo, em Extrema-MG. O vídeo já vale pelas incríveis paisagens da Serra da Mantiqueira, pela superação física diante de uma mochila carregada (com barraca e tudo) e pelo ritual de sobrevivência na natureza. Mas o grande lance de sua experiência foi o despertar de uma reflexão profunda sobre sua vida atual e a necessidade de reconexão com suas origens. E surgiu uma pergunta silenciosa: “onde foi parar aquele Richard que encarava qualquer desafio sozinho?”


Vídeo de Richard Oliveira no canal "Vida de Mochila", acampando no Pico do Lopo, em Extrema-MG


A experiência de Richard mostra a necessidade que temos de olhar para dentro, da maneira que for e que puder. Nem sempre temos todo o tempo do mundo e muito menos todos os recursos à disposição. Cada um encontra o seu jeito, diante das possibilidades, a partir de um chamado interno, seja um pequeno incomodo ou uma dor latente.


Esta reflexão necessária, vital, pode ser um “mergulho” (como fez Richard) ou uma “viagem profunda” (como foi comigo). Ou seja, pode ser curta, momentânea, ou algo longo, que precisa ser elaborado e desenvolvido. O segundo caso, que envolve tempo e construção, muitas vezes é chamado por alguns de “Período Sabático”. Tudo bem, é uma boa forma de nominar algo amplo.

 

O que é um Período Sabático, afinal?

 

Eu mesmo já chamei, algumas vezes, este meu momento de período sabático. E ainda extrapolei o conceito me desafiando a “viver em sabático para sempre”.

 

Em um dos meus artigos publicados em 2021, eu disse que atravessava uma fase de descobertas e transformações, uma espécie de “túnel mágico”, algo contínuo e crescente. Na minha cabeça da época, o tal “túnel mágico” era o período sabático. E ficava a pergunta: “O que será que vou encontrar do outro lado quando sair do túnel? E se eu nunca mais sair do túnel? Enfim, o que define o fim do sabático?”

 

No excelente livro “Sabático – O poder da pausa”, de Eberson Terra e Iara Vilela - eu tive o privilégio e a honra de escrever o prefácio - está escrito na página 50:

“O período sabático não é um estilo de vida, mas sim, um poderoso instrumento para você reavaliar hábitos e reconstruir a sua rotina de maneira mais harmoniosa para o seu retorno. O equilíbrio tão desejado pela maioria das pessoas que sai em Sabático está na busca da reconexão interior e, principalmente, reencontrar prazer nas pequenas coisas do cotidiano.”

 

Em outra parte do livro (pág. 116), é dito:

“Geralmente, tirar um Período Sabático antecede grandes tomadas de decisão. A reflexão sobre nossos próximos passos muitas vezes tem como tema central uma mudança interna, como a elevação de nossa consciência sobre o que queremos e o que não queremos com nossas vidas.”

 

O livro de Eberson e Iara é essencialmente prático, repleto de dicas e agradável de ler. Embora os autores evitem a palavra “guia”, ele funciona como um manual para quem deseja planejar um verdadeiro sabático. Isso o torna valioso e especial.

 

Em outro livro, chamado “Momentos Sabáticos”, de Marcelo Rondon, o autor conta:

Após um cuidado planejamento financeiro e mental, decidi deixar o banco e tirar um período sabático. Diferente de muitas pessoas que optam por viagens ou aventuras, meu sabático tinha como foco as descobertas internas. Era uma viagem interior que eu nunca havia feito até então. Queria entender quem é o Marcelo, identificar minhas paixões e valores e, a partir disso, traçar uma nova rota para a minha vida”.

 

É isso!! Os 3 trechos acima elaboram muito bem o meu aprendizado de que todo ser humano precisa parar um tempo para fazer uma viagem interna profunda.

 

Livro Sabático - o poder da pausa de Eberson Terra e Iara Villela
Livro Sabático - O poder da pausa - de Eberson Terra e Iara Villela - foto de Mauro Segura

Sabático, essencialismo e minimalismo: a tríade do mergulho interno

 

Eu tenho essas paradas, que congelam o tempo cronológico, quando faço caminhadas solitárias de longo curso, como fiz no Caminho da Fé, ou quando vivo retiros radicais, como o Vipassana. São momentos que consigo me desconectar completamente do mundo e entro em outra dimensão, o que me leva para camadas interiores que não alcanço na vida cotidiana. Esse mergulho interno precisa de tempo, contexto, isolamento e universo próprio.

 

Como já disse, esses meus últimos anos foram de muitas reflexões, de transformações importantes, trazendo significado e mais consciência nas minhas escolhas de vida. Mas não foi só isso. A vontade de buscar novas experiências está ainda maior. Sinto uma necessidade vital de pensar em novas possibilidades, de me testar em novas áreas, expandir meu potencial. Enfim, realizar coisas.

 

Eu já venho de uma fase de experiências em que muitas delas nunca havia imaginado fazer na vida, muito menos aspirado ou sonhado.  E agora em julho de 2026, aos 66 anos, me sinto no ponto mais alto dessa curva. A vontade de realização voltou, mas de forma diferente. Eu quero fazer coisas novas que me levem para uma vida de mais autoconhecimento e autodesenvolvimento. Sim, talvez eu esteja ficando mais egoísta! Estou bem com isso.

 

Eu me identifico muito com todo o conteúdo do livro “Sabático – O poder da pausa”. Tudo se conecta com meus conceitos e valores. Os autores contam sua história pessoal, quando eles foram intencionais e planejados em suas escolhas e decisões. E apontam a tríade “sabático + essencialismo + minimalismo” como o potente motor para suas reflexões e mudança de hábitos.  

 

Cabe dizer que a minha vivência foi bem diferente da deles. A minha não foi planejada, muito menos intencional. Ela teve origem em uma crise pessoal. No entanto, tal qual os dois autores, eu também escolhi o caminho do essencialismo e minimalismo. Aqui a nossa convergência é total. Os conceitos de “essencialismo” e “minimalismo” tem algumas variações, mas eu tenho os meus próprios entendimentos.

 

De forma bem básica, “essencialismo” é fazer o que realmente importa, fazer menos, fazer o que me gera satisfação e realização, ou seja, viver com propósito, conectado ao que é essencial. É por força vital no fundamental. Já o minimalismo, por sua vez, me ajuda a promover a ressignificação do que é suficiente, simplificando minha vida material e mental. É uma ferramenta prática de desapego, de esvaziar a mochila da vida ao máximo.

 

Ao viver um período verdadeiramente sabático, os dois conceitos se cruzam e se potencializam. Ao reduzir os excessos (seja na agenda, nas posses ou nos compromissos sociais), eu crio o espaço físico e mental necessário para que o período sabático seja aproveitado com clareza e em todo seu potencial. Assim crio o espaço para o novo, vislumbro novos horizontes e me sinto leve para uma nova caminhada mais longa e vigorosa.   

 

Dois livros, duas abordagens, uma mesma necessidade

 

Na época do lançamento do livro, Eberson e Iara deram uma boa entrevista que está disponível no youtube. Lá eles contam os bastidores da experiência que viveram, e soltam frases importantes: “Sabático é o momento ideal para fechar ciclos”, “Toda pausa voluntária organiza a bagunça”, “Sabático é uma experiencia de reflexão”, “O que é um luxo para você?” e “Todo incômodo carrega um convite”.


Entrevista de Eberson Terra e Iara Villela sobre o livro "Sabático - o poder da pausa" para Izabella Camargo

 

Cabe destacar que existe uma diferença de abordagem dos dois livros que citei em parágrafo anterior.

 

No livro de Eberson e Iara, eles falam do período Sabático partindo da dimensão profissional, tipicamente do foco excessivo no trabalho ou um repensar da carreira profissional. E, principalmente, ensinam detalhadamente o planejamento de um Sabático e o fim dele.  Já no livro do Marcio, ele parte de uma inquietude interna difícil de nominar, de questões existenciais. E ele também dá boas dicas. Os dois livros tocam na falta e na busca de propósito e significado. Ambos os livros me soam complementares.

 

A renovação criativa: a lição do TED de Stefan Sagmeister

 

Se desejar explorar mais o conceito por trás do sabático, recomendo a famosa palestra do TED "O poder do tempo livre". O designer gráfico Stefan Sagmeister explica por que fecha o seu estúdio em Nova York por 1 ano a cada 7 anos. Essa pausa radical serve para recarregar as energias, evitar o esgotamento profissional e buscar inspirações que guiarão os seus próximos anos de trabalho.

 

Stefan divide a vida em duas metades: 25 anos de aprendizado e, em seguida, os anos de trabalho. Em vez de guardar a aposentadoria apenas para o final da vida (quando a vitalidade física pode ser menor), ele decidiu "roubar" cinco anos desse período e encaixá-los durante sua vida ativa. A ideia central não é tirar férias prolongadas para não fazer nada, mas sim mudar o foco. Durante esses 12 meses sabáticos, ele se dedica a experimentar coisas novas, criar projetos pessoais e se arriscar em áreas que o trabalho comercial diário não permite. Para ele, esse tempo afasta a pressão dos clientes, o que gera uma renovação criativa profunda e garante que o trabalho subsequente seja muito mais autêntico e apaixonado.

 

Vale muito assistir esse TED. Coloque legendas em português.


TED de Stefan Sagmeister "The power of time off". Em português, "O poder do tempo livre"

 


 

O "novo você" que emerge da pausa

 

No final do livro, Eberson e Iara falam de um “NOVO VOCÊ” que surge no pós-sabático, que replico aqui:

 “Quando sentenciamos que haverá um outro você, não se trata apenas de uma jornada linda e linear que alguns livros de autoajuda pregam. Nada contra, mas se somos reflexo do que vivemos, lemos e pensamos, é quase óbvio que será absolutamente transformador passar por um Período Sabático. Também é verdade que dificilmente você caberá novamente na sua vida antiga. Por mais poético que possa parecer, você precisa se preparar para isso. Independente dos motivos que te lavaram à pausa ou a forma como aproveitou esse tempo, além de não caber na vida antiga, é muito provável que você também já não seja mais a mesma pessoa.”

 

Meu sabático forever: a nova fase de realizações

 

Nesta nova fase de realizações, eu já coloquei um compromisso desafiador no meu pacote de viagem de novas aventuras.

 

Valéria Ruiz, minha esposa, é terapeuta especialista em relacionamentos amorosos. Ao longo de sua experiência de mais de dez anos atendendo centenas, milhares, de casais, ela desenvolveu um método que chamou de MAC – Método do Amor Consciente. É uma metodologia inovadora e muito prática criada para transformar a forma como os casais se relacionam. É um processo transformador em apenas 8 semanas. Algo bem revolucionário e que vem causando grandes mudanças na vida de um mundo de casais, dando uma nova abordagem à tradicional “terapia de casal”. Em 2 ou 3 meses a relação do casal muda completamente. O método é aplicado no consultório dela ou por atendimento online.

 

Valéria passou anos desenvolvendo e testando o método de forma prática, que foi sendo aprimorado e validado. Agora ela vai publicar um livro apresentando o método através de uma grande editora. O contrato já está assinado.

 

A aventura já começou e a grande novidade é que serei o ghostwritter!! Obviamente que me sinto muito motivado e entusiasmado, mas também muito desafiado, que vai me levar para algo novo e me desenvolver novas habilidades. Estou certo de que posso contribuir, mesmo com medo da responsabilidade.

 

Continuarei as minhas caminhadas. Em outubro, vou viajar para a Chapada Diamantina. Não será uma trilha longa de centenas de quilômetros, mas provavelmente será a trilha mais desafiadora que já fiz até hoje na minha vida, por conta da altimetria e das condições do terreno. Eu vou fazer com dois amigos, militares da reserva, que considero muito mais bem preparados para este tipo de atividade do que eu. Vou aprender com eles e me submeter a algo diferente. Será uma aventura de pouco mais de uma semana.  

 

E eu ainda tenho outras coisas que eu vou buscar, inclusive desafios de evolução espiritual. Pretendo ir para minha terceira experiência de Santo Daime. Provavelmente será a última. Não sei quando vai ser, mas deverá ser neste segundo semestre. Continuarei a minha jornada de realizações de superação física, desenvolvimento intelectual, desenvolvimento espiritual, busca de me conhecer melhor e me permitir em realizar coisas que meu coração e minha cabeça clamam.

 

Certa vez, li em algum lugar que os 60 anos de idade é o marco da melhor fase da vida. Olha, quem disse isso sabia o que estava dizendo. Como já disse, eu vivo realmente a melhor fase a vida, independentemente das limitações físicas, que são bem poucas... mas o meu equilíbrio, a minha consciência e a minha centralidade têm me levado muito longe. Essa jornada de autoconhecimento, essa busca constante por novos significados e por um viver mais autêntico, é a minha ressignificação em movimento. E é ela que me dá clareza sobre o meu propósito: não mais acumular, mas experienciar; não mais controlar, mas fluir. Voltei a sonhar com novas possibilidades.

 

A peregrinação continua

 

No livro de Eberson e Iara, no prefácio que escrevi, há uma reflexão que eles repetem no corpo do livro como conselho:

 “A jornada do sabático não é uma corrida, não é uma maratona, mas é uma espécie de peregrinação, onde o tempo é o companheiro de viagem indispensável para alcançar o ponto de chegada desejado”

 

Pois bem, eu sigo na minha peregrinação...

 

celebração de 66 anos de idade - Mauro Segura e Valéria Ruiz
66 anos - Eu e Valéria - foto de Mauro Segura

 

 

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